segunda-feira, 20 de junho de 2011

De que não preciso

Minhas lágrimas não passam do suor do meu desejo
preso em busca do ensejo
do que nunca vem

Minha leveza alienada, esconde a tristeza da pureza
que tão mais bela seria
se expressa em verdade

Meus olhos, tão grandes, fundos ao espelho
que me cega em reflexos
do ideal nunca visto

E minhas mãos, tão vazias dos calos do poder
que lhe matam à vontade
que lhe matam por vaidade

E meu peito, tão profundo em inexpressão
no vasto não-sentir
que mo consome em não crer

Minhas lágrimas tão somente expressam a verdade
do meu não saber
do maldito precisar

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